A abertura da exposição documental “Trilhas da Liberdade: Tecnologias Negras de Emancipação no Judiciário” foi realizada nesta segunda-feira, 26 de outubro. A iniciativa é promovida pela Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (Ejef), em parceria com a Diretoria Executiva de Gestão da Informação Documental (Dirged), do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

A presidente da Amagis, juíza Rosimere Couto, prestigiou a abertura da exposição que ficará disponível no hall de entrada do Edifício-Sede do TJMG até o dia 6 de novembro.


Durante a abertura, o presidente do TJMG, desembargador Vicente de Oliveira Silva, destacou a importância da preservação dos documentos históricos para reconhecer o protagonismo da população negra na conquista da liberdade e contribuir para a reparação do apagamento de sua trajetória. “Em cada registro, construções de liberdade, mas também os artifícios de enfrentamentos e os saberes mobilizados pelos escravizados para então manter o processo de desumanização a que eram submetidos”, disse o presidente.


Representando o 2º vice-presidente do TJMG e superintendente da Ejef, desembargador Manoel dos Reis Morais, o desembargador Enéias Xavier, superintendente adjunto da Escola Judicial, chamou a atenção para as histórias e vozes que foram silenciadas ao longo do tempo. “É um espaço de produção de conhecimento e, sobretudo, um espaço de desvelar essa história. Portanto, a minha frase final é que nós possamos, no presente, sempre interrogar, porque o presente está ao nosso alcance e, por ele, nós podemos fazer muito”, declarou o desembargador.


A juíza auxiliar da 2ª Vice-Presidência, Aline Damasceno Pereira de Sena ressaltou a necessidade de compreender os efeitos históricos da escravidão e reconhecer que as desigualdades raciais e sociais persistem na sociedade brasileira. “Compreender a história da escravização é um passo fundamental para não repetir suas violências, permitindo a construção de uma memória coletiva honesta e a implementação de uma reparação histórica efetiva para o povo negro”, afirmou a juíza.


A diretora executiva de Gestão da Informação Documental (Dirged), Simone Meireles explicou o conceito que orienta a exposição e o reconhecimento das estratégias jurídicas e sociais empregadas por pessoas escravizadas na busca pela emancipação. “Saber acumular o que é público, acionar advogados e curadores, invocar a ausência de matrícula, denunciar a violência senhorial ou usar a Lei Feijó de 1831 para provar a ilegalidade do cativeiro eram verdadeiras tecnologias de sobrevivência e emancipação”, explicou Simone.


A deputada estadual Macaé Evaristo, ex-ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, elogiou a iniciativa do TJMG e destacou a importância de reconhecer a população negra como protagonista de sua própria história. “nessa exposição a gente vai ver como cada mudança construída foi fruto de muitas mãos, de muita coragem, de muita capacidade de resistência de mulheres e homens negros que se recusaram a aceitar a escravidão como destino”, disse a deputada.


A solenidade de abertura da exposição contou com um número musical da Orquestra Jovem do TJMG e uma apresentação do grupo ‘Teatro Negro e Atitude’.


Exposição documental “Trilhas da Liberdade: Tecnologias Negras de Emancipação no Judiciário”

Período: 26/10 a 6/11
Local: Edifício-Sede do TJMG (Avenida Afonso Pena, nº 4.001, bairro Serra, Belo Horizonte/MG)
Evento gratuito e aberto ao público
Realização: Ejef/Dirged/TJMG
Acervo digital: disponível na Biblioteca Digital do TJMG e no portal Acervo Minas Justiça