A Universidade Federal de Viçosa (UFV) outorgou, pela primeira vez em sua história, o título de Doutora Honoris Causa, sua mais alta distinção acadêmica, a uma mulher. A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia Antunes Rocha é a 12ª pessoa a receber essa titulação, até então conferida apenas a homens.
O juiz Elias Charbil Abdou Obeid, diretor da 1ª Seccional da Amagis, representou a presidente Rosimere Couto na solenidade realizada na sexta-feira, 28/8.

Estiveram presentes o presidente do TJMG, desembargador Vicente de Oliveira Silva; o presidente do TRE-MG, desembargador Carlos Henrique Perpétuo Braga; o presidente do TRF6, desembargador federal Ricardo Machado Rabelo; o vice-presidente do TRE-MG e corregedor regional eleitoral, desembargador Sálvio Chaves; o reitor da UFV, Demetrius David da Silva; a vice-reitora, Rejane Nascentes; o juiz titular da 3ª Vara Cível da Comarca de Ibirité e auxiliar da Vice-Presidência e da Corregedoria Regional Eleitoral do TRE-MG, Júlio Ferreira de Andrade. E ainda o conselheiro-presidente do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, Durval Ângelo Andrade; a desembargadora Âmalin Aziz Sant'Ana; os desembargadores Paulo de Tarso Tamburini e Maurício Soares; a diretora do Foro da Comarca de Viçosa, Giovanna Travenzolli Abreu Lourenço; e as juízas Isadora Nicoli da Silva, Daniéle Viana da Silva Vieira Lopes e Rosângela Fátima de Freitas.


Coube ao viçosense Júlio Ferreira de Andrade, juiz auxiliar de Cármen Lúcia no STF e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), resumir o extenso currículo da homenageada. “A ministra entrega ao país um legado permanente de respeito ao cidadão, cuidado com a coisa pública, compromisso intransigente com a ética e dedicação absoluta ao trabalho. Ela representa o que há de melhor no Brasil”, ressaltou, lembrando que ela foi a primeira mulher a presidir o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a segunda a ocupar a presidência do STF. Cármen Lúcia integra também a Comissão de Veneza, órgão consultivo do Conselho da Europa para questões constitucionais, o que reforça sua atuação global na proteção da democracia e do Estado de Direito.

O magistrado destacou a ministra como a principal liderança nacional na salvaguarda dos direitos femininos, estabelecendo políticas concretas para efetivar a presença de mulheres em espaços de poder e impulsionar normas que garantem a paridade de gênero no Judiciário. Lembrou ainda sua atuação firme na defesa da liberdade de expressão e na condução das eleições de 2012 e 2024. Segundo ele, a aplicação da Lei da Ficha Limpa nos pleitos e a regulamentação da Inteligência Artificial nas campanhas protegem a decisão do eleitor frente aos desafios da era digital. “Sua atuação revela uma compreensão do Direito que enxerga na Justiça um encontro permanente com a ética e a dignidade”, declarou o juiz Júlio Ferreira de Andrade.
Em seu discurso, o reitor destacou a honra da UFV em acolher Cármen Lúcia na comunidade acadêmica. “Escolhemos uma mulher cuja trajetória se relaciona profundamente com os valores que sustentam uma sociedade democrática: a Constituição, a justiça, a igualdade, a liberdade e a educação”, afirmou, ressaltando que, antes do STF, ela ocupou salas de aula como docente e pesquisadora dos preceitos constitucionais, transformando o saber acadêmico em instrumento de cidadania.
Ao agradecer o título de Doutora Honoris Causa, Cármen Lúcia disse que tudo fará para honrar a UFV que agora leva consigo. “A universidade é o mais importante equipamento que nós temos para construir uma sociedade livre, justa, fraterna e solidária”, disse a ministra.
A ministra defendeu o voto e a participação popular como instrumentos de transformação social, assegurou o valor da urna eletrônica e alertou para os perigos dos algoritmos, que tantas vezes distraem a população para seus compromissos com a construção de uma sociedade mais justa para todos. Ela ainda citou os preconceitos contra grupos, a pobreza e a recorrente violência contra mulheres como “a ausência de dignidade humana que precede a democracia”.
*Com informações da UFV e do TJMG
Fotos: Universidade Federal de Viçosa


