A Amagis, por meio da Diretoria Amagis Mulheres, promoveu, nesta quinta-feira (19/3), o “Diálogo com Carla Madeira”, um encontro que uniu o universo jurídico à potência da literatura contemporânea. A iniciativa reuniu magistradas, magistrados e convidados em um ambiente de troca sensível e proporcionou reflexões sobre como a escrita e a arte podem atravessar e humanizar as trajetórias pessoais e profissionais.

Reconhecida como uma das vozes mais relevantes da literatura contemporânea brasileira, a escritora mineira Carla Madeira compartilhou aspectos de sua trajetória e de seu processo criativo. Autora de obras consagradas, como Tudo é rio, Véspera e A natureza da mordida, ela conduziu o público por reflexões sobre a construção de personagens, os desafios da linguagem e a força das narrativas que tocam dimensões profundas da existência.

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Assista ao evento na íntegra:

Na abertura, a presidente da Amagis, juíza Rosimere Couto, ressaltou o compromisso da Associação com a promoção de espaços de diálogo, reflexão e valorização do protagonismo feminino, especialmente no contexto das comemorações do Mês da Mulher. Ao destacar a escolha da literatura como eixo da conversa, a magistrada enfatizou a conexão entre o Direito e outras formas de compreensão da experiência humana. “Ao trazer a literatura para o centro deste encontro, reafirmamos a importância do diálogo entre o Direito e outras áreas do conhecimento, que nos ajudam a exercitar a empatia e a compreender melhor as múltiplas dimensões da condição humana, algo essencial para todos aqueles que atuam na Justiça”, afirmou.

A diretora da Amagis Mulheres, desembargadora Paula Cunha e Silva, enfatizou o propósito do encontro como um espaço de acolhimento e reflexão. Ao abordar a relevância de promover diálogos como esse, reforçou o compromisso da diretoria com ações que fortaleçam o protagonismo feminino e incentivem o desenvolvimento pessoal e cultural das magistradas.

O diretor-geral da Escola da Magistratura Desembargadora Jane Silva (Emajs), desembargador Henrique Abi-Ackel Torres, destacou a importância da integração entre cultura e formação. Em sua manifestação, evidenciou o valor de iniciativas que promovem o pensamento crítico e ampliam horizontes, contribuindo para uma atuação ainda mais humanizada no âmbito da magistratura.

Durante o debate, mediado pelas juízas Sílvia Paiva Ramos e Fernanda Andrade, Carla Madeira compartilhou aspectos de seu processo criativo e de sua relação com temas como dor, perdão e desejo, que atravessam suas obras. Ao conduzir a conversa, Sílvia Paiva Ramos destacou a profundidade psicológica das personagens da autora e a maneira como sua escrita dialoga com a realidade vivida no sistema de Justiça.

Já a juíza Fernanda Andrade chamou atenção para a fluidez narrativa da convidada e ressaltou a singularidade da literatura como espaço de reflexão e abertura ao indeterminado, em contraste com a lógica decisória do sistema de Justiça. Ao comentar a riqueza da obra de Carla Madeira, a magistrada evidenciou a força da escrita em acolher as complexidades da experiência humana e a coragem de permanecer diante da dúvida e das ambiguidades.

O evento terminou com uma sessão de autógrafos e um momento de confraternização, reafirmando o compromisso da Amagis com a valorização cultural de seus associados.