O Clube de Leitura da Diretoria Amagis Mulheres realizou, no dia 10 de fevereiro, encontro on-line que reuniu magistradas da ativa e aposentadas para debater a obra A confissão da leoa. A iniciativa reuniu magistradas mineiras para um momento de reflexão e troca de impressões sobre temas como tradição, violência, relações de poder, identidade e o papel da mulher em contextos sociais marcados por opressões históricas e culturais.

Responsável pela curadoria dos títulos do Clube, a juíza Fernanda Andrade afirmou que os encontros vão além da leitura literária, funcionando como um espaço de acolhimento e fortalecimento coletivo. “O clube de leitura é um espaço de descompressão e conexão. Um convite a um mergulho interior e, também, à formação de um senso de sororidade, de pertencimento a um coletivo feminino que transcende a soma das nossas individualidades”, afirmou.

Segundo a magistrada, os debates provocam deslocamentos importantes de percepção e a troca de olhares e a convivência entre convergências e divergências ampliam a sensibilidade para temas que, em outros contextos, poderiam passar despercebidos. Para Fernanda Andrade, a experiência literária, nesse sentido, favorece a reflexão sobre questões de gênero e o exercício de uma presença mais consciente no trabalho e nas relações, fortalecendo a dimensão humana da atuação judicial.

A escolha das obras segue uma proposta curatorial organizada em ciclos temáticos. No atual ciclo, o fio condutor é “Arquitetura do (In)Consciente Feminino”, que busca explorar, por meio da literatura, as camadas mais profundas da subjetividade feminina. “As obras mergulham nas camadas profundas da psique de mulheres que negociam sua existência entre o que sentem intensamente e o que o mundo permite que expressem. As personagens compartilham a busca por uma linguagem própria para nomear experiências que o vocabulário convencional não alcança. O fluxo de consciência, as vozes múltiplas, a fragmentação narrativa e a prosa-poética tornam-se ferramentas para dar forma ao indizível. Mais que histórias sobre mulheres, são expedições aos territórios onde o feminino se constitui, se desmancha e se reconstrói — sempre em tensão com forças externas que buscam defini-lo, silenciá-lo ou domesticá-lo”, disse.

Durante o encontro, as participantes também compartilharam indicações culturais, ampliando o diálogo para além do livro debatido. Entre as sugestões, estiveram os filmes A Sombra e a Escuridão, Manas e Your Name, além dos livros As alegrias da maternidade e Eu, Tituba: Bruxa negra de Salem.