O Clube da Leitura da Diretoria Amagis Mulheres promoveu, no dia 10 de fevereiro, encontro on-line para debater a obra “A confissão da leoa”, de Mia Couto. A iniciativa reuniu magistradas mineiras para um momento de reflexão e troca de impressões sobre temas como tradição, violência, relações de poder, identidade e o papel da mulher em contextos sociais marcados por opressões históricas e culturais.

Durante o debate, surgiram indicações apresentadas pelas participantes de filmes e livros, entre elas os filmes A Sombra e a  Escuridão; Manas; e Your name; e os livros As alegrias da maternidade; e Eu, Tituba: Bruxa negra de Salem.

Sinopse do livro “A confissão da leoa”, de Mia Couto

Em 2008, quando Mia Couto participava da expedição de uma equipe de estudos ambientais ao norte de Moçambique, começaram a ocorrer na região ataques de leões a pessoas. Essa experiência inspirou o autor a escrever este romance singular.

Em A confissão da leoa, uma aldeia moçambicana é alvo de ataques mortais de leões provenientes da savana. O alarme chega à capital do país e um experiente caçador, Arcanjo Baleiro, é enviado à região. Chegando lá, porém, ele se vê emaranhado numa teia de relações complexas e enigmáticas, em que fatos, lendas e mitos se misturam.

Uma habitante da aldeia, Mariamar, em permanente desacordo com a família e os vizinhos, tem suas próprias teorias sobre a origem e a natureza dos ataques das feras. A irmã dela, Silência, foi a vítima mais recente. A narrativa é construída em primeira pessoa, alternadamente por Arcanjo e Mariamar. Ao longo das páginas, o leitor descobre que os dois já haviam se encontrado anos antes, quando Mariamar era adolescente e o caçador visitou a aldeia.

O confronto com as feras leva os personagens a um enfrentamento consigo mesmos, com seus fantasmas e culpas. A situação de crise expõe as contradições da comunidade, suas relações de poder e a força — por vezes libertadora, por vezes opressiva — de suas tradições e mitos.