Em sessão realizada no Plenário do Tribunal Pleno do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), o desembargador Wagner Wilson Ferreira foi homenageado nesta quinta-feira (24/9), durante sua última sessão na 19ª Câmara Cível. Após quase quarenta anos de dedicação à Magistratura mineira, o magistrado se aposenta, encerrando uma trajetória marcada pela atuação em diferentes instâncias e funções do Judiciário, entre elas a coordenação do Programa de Formação Continuada Orquestra Jovem e Coral Infantojuvenil do TJMG.

A presidente da Amagis, juíza Rosimere Couto, ressaltou a importância da trajetória do magistrado e sua dedicação ao Judiciário mineiro. “Venho aqui com um misto de tristeza e conformismo. Digo isso porque perderemos um magistrado competente e dedicado, que serviu à sociedade e à magistratura com muita humildade”, disse.
Rosimere também enfatizou o impacto da atuação social do desembargador Wagner Wilson à frente da Orquestra Jovem do TJMG. “Seu trabalho ficará eternizado em tantas decisões que poderemos usufruir. Mas também deixa um legado social com a Orquestra Jovem, que hoje representa não só a musicalidade de nosso Estado, como também o amparo a tantos jovens que estão construindo suas vidas com dignidade. Em nome da Magistratura mineira, deixo um abraço afetuoso, com os votos de que sua nova etapa seja repleta de alegrias, como as que deixa neste Tribunal”, desejou a presidente.

Em um discurso marcado pela emoção e pela gratidão, o desembargador Wagner Wilson agradeceu as homenagens. Ele relembrou sua trajetória e ressaltou que enxerga na Magistratura uma missão de transformação e equilíbrio social. “Ao me despedir dessa instituição que por tantos anos foi a extensão do meu lar e da minha própria identidade, eu não consigo deixar de revisitar com profunda emoção cada passo percorrido. Quando ingressei, eu trazia a determinação de servir à Justiça com humildade, coragem e fidelidade aos princípios que a sustentam. Vestir a toga significaria, para mim, viver todos os dias com a oportunidade de transformar vidas e de fazer de cada decisão um instrumento de justiça, equilíbrio e esperança”, declarou o magistrado.

Ao longo do discurso, o desembargador agradeceu aos colegas magistrados, servidores e familiares. Ao encerrar um capítulo de quase quatro décadas no Tribunal, o magistrado expressou o sentimento com o qual inicia sua aposentadoria. “Não me despeço com tristeza. A saudade será grande, mas maior é a gratidão. Hoje eu deixo esse Tribunal levando comigo as marcas de uma história que jamais se apagará. Sigo agora para uma nova etapa com a leveza de quem cumpriu seu dever e a alegria de ter semeado o que pude. Saio em paz, com o coração pleno e agradecido a Deus por ter me permitido seguir. Não digo adeus, mas um até breve, porque a saudade sempre encontra caminho para o reencontro”, disse.
Durante a sessão, o desembargador recebeu homenagens de diversos magistrados e servidores, que destacaram sua trajetória profissional e sua contribuição para a Justiça de Minas Gerais.

O presidente da 19ª Câmara Cível, desembargador Pedro Bitencourt Marcondes, destacou a relação de amizade construída com Wagner Wilson ao longo de mais de 20 anos. Ao falar sobre a carreira do colega, ressaltou a trajetória construída por Wagner Wilson no Judiciário mineiro e afirmou que sua passagem pelo Tribunal deixa uma marca permanente. “A sua trajetória é uma trajetória brilhante, de sucesso. Você tem uma história aqui. Você deixa uma história aqui. Você tem o seu lugar. E isso ninguém vai apagar”, disse.
Os integrantes da Câmara, desembargadores Versiani Penna e Carlos Henrique Perpétuo Braga, e o juiz Marcus Vinícius Mendes do Valle também se manifestaram durante a sessão.

O presidente do TJMG, desembargador Vicente de Oliveira Silva, destacou os aspectos humanistas do magistrado, afirmando tratar-se de uma pessoa sensível às questões sociais e profundamente comprometida com a Justiça. “Sentiremos falta da convivência quase diária nesta Corte, mas esteja certo de que deixou a marca de um grande humanista e um magistrado vocacionado, que muitíssimo contribuiu para o Judiciário mineiro e para a Justiça em Minas Gerais. Esta é e sempre será a sua casa”, disse o presidente.
Também cumprimentaram o desembargador os integrantes da direção do Tribunal: os desembargadores Márcio Idalmo Santos Miranda, 1º vice-presidente; Manoel dos Reis Morais, 2º vice-presidente e superintendente da Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (Ejef); Shirley Fenzi Bertão, 3ª vice-presidente; Raimundo Messias Júnior, corregedor-geral de Justiça; e Leopoldo Mameluque, vice-corregedor-geral de Justiça.

A solenidade teve um momento de emoção com a apresentação de um vídeo no qual ex-integrantes da Orquestra Jovem e do Coral Infantojuvenil do TJMG relataram como o projeto impactou suas vidas. Na sequência, o grupo apresentou três canções.


Filho do desembargador Wagner Wilson, Rodrigo Eustáquio Favato Ferreira, juiz titular da 2ª Vara Criminal da Comarca de Betim, homenageou o pai, destacando os valores humanos e profissionais que ele transmitiu. “Nós somos arrastados pelo seu exemplo de que nós podemos exercer cargos importantes com leveza e com respeito a todas as pessoas, sejam colegas de profissão, membros de outras instituições, equipes de trabalho, quaisquer outros profissionais e funcionários e, especialmente, o cidadão.”
Ao concluir sua homenagem, Rodrigo agradeceu ao pai pelos valores transmitidos e pela trajetória construída no serviço público. “Como filho, como profissional, como cidadão, eu te agradeço”, afirmou. A filha Carina Ferreira também discursou em homenagem ao pai.

Trajetória
Formado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 1975, Wagner Wilson ingressou na Magistratura mineira em 1987. Atuou nas Comarcas de Passatempo, Prata, Passos e Belo Horizonte.
Ao longo da carreira, foi juiz auxiliar da Corregedoria-Geral de Justiça; juiz de Direito titular da 5ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Municipal de Belo Horizonte; juiz de Direito da 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis de Belo Horizonte; juiz eleitoral da 33ª Zona Eleitoral; membro da Comissão de Propaganda do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG); e juiz superintendente e integrante da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (CEJA).
Tomou posse como desembargador em 2006. No biênio 2016/2018, foi 2º vice-presidente do Tribunal e superintendente da Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (Ejef), tendo também exercido o cargo de 1º vice-presidente.


