O juiz Marcelo Gonçalves de Paula, titular do 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Comarca de Belo Horizonte e membro da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (COMSIV), participou, nesta semana, de uma ação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em Blumenau, no Vale do Itajaí (SC). A agenda integrou as atividades do Grupo de Trabalho responsável pela elaboração de diretrizes nacionais sobre Grupos Reflexivos e Responsabilizantes de homens autores de violência doméstica e familiar contra as mulheres (GRH), instituído pelo CNJ, do qual o magistrado faz parte.

A visita foi marcada por relatos de transformação, escuta ativa e troca de experiências entre os integrantes da rede de enfrentamento à violência contra a mulher. Representantes de diversas instituições apresentaram o funcionamento do grupo reflexivo local e a atuação articulada entre os órgãos envolvidos. A comitiva também acompanhou um encontro com homens autores de violência, observando, na prática, a metodologia aplicada.

O grupo de trabalho do CNJ atua em três eixos principais: a elaboração de diretrizes normativas, o mapeamento nacional das iniciativas existentes e a construção de um manual teórico-prático, com linguagem acessível, voltado à disseminação da metodologia.

Responsabilizar é também prevenir

O juiz Marcelo Gonçalves de Paula destacou a importância dos grupos reflexivos como estratégia efetiva de enfrentamento à violência de gênero. De acordo com ele, a experiência de Blumenau comprova, na prática, o que a pesquisa acadêmica já aponta: responsabilizar é também prevenir.

“Os grupos preenchem uma lacuna que a punição, sozinha, não alcança. É preciso levar os homens a desconstruir estereótipos e compreender novas formas de masculinidade pautadas pelo diálogo e pelo respeito”, afirmou. Autor da dissertação ‘Grupos reflexivos: ressignificando masculinidades rumo à redução da violência doméstica e familiar contra mulheres’, o juiz Marcelo ressaltou que o trabalho integrado entre Judiciário, rede de proteção e academia é o caminho para transformar experiências locais, como a de Blumenau, em política pública nacional.

A experiência local reúne uma ampla rede institucional, com participação do Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Polícia Militar, universidade e entidades da sociedade civil, evidenciando a importância da atuação integrada.

A programação da comitiva teve continuidade em Florianópolis, com reuniões no Tribunal de Justiça de Santa Catarina e visitas a projetos voltados ao aprimoramento das metodologias e ao acompanhamento dos grupos reflexivos.

Além do juiz mineiro, participaram da agenda o desembargador Álvaro Kalix Ferro, coordenador do grupo de trabalho do CNJ; a juíza auxiliar da Presidência do CNJ Suzana Massako Hirama Loreto de Oliveira; a juíza Naiara Brancher, coordenadora adjunta do grupo de trabalho; e outros representantes do CNJ e do Judiciário catarinense. (Informações e fotos do TJSC)