
A oito dias das eleições de 4 de outubro, a Justiça Eleitoral intensifica os procedimentos para garantir que as urnas eletrônicas estejam prontas para receber os votos dos eleitores. Em Belo Horizonte, a reportagem da Amagis esteve no Centro de Apoio do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), onde acompanhou mais uma etapa do trabalho de ativação, carga, testes e conferência dos equipamentos que serão utilizados no pleito.


O procedimento foi supervisionado pelo juiz Geraldo David Camargo, responsável pela 333ª Zona Eleitoral de Belo Horizonte, a maior da capital e a segunda maior de Minas Gerais, com cerca de 137 mil eleitores e 319 seções. Ao lado de servidores do TRE-MG e de representantes do Ministério Público, o magistrado conferiu a preparação das urnas que, depois de concluídas todas as etapas, serão encaminhadas aos locais de votação.
Uma preparação que começa antes do dia da votação
Em Minas Gerais, 55.820 urnas eletrônicas vão receber os votos de mais de 16 milhões de eleitores. A preparação dos equipamentos é uma das etapas do trabalho que a Justiça Eleitoral desenvolve antes, durante e depois das eleições. De acordo com o juiz Geraldo David Camargo, a atuação começa ainda após as convenções partidárias, com a fiscalização da campanha eleitoral, e passa pela preparação das urnas, instrução dos mesários e organização da logística necessária para a votação. “Hoje, estamos aqui dando a carga nas urnas e já lançando o nome de candidatos e dos eleitores de cada seção eleitoral. Depois, tem a logística do TRE para levar os equipamentos para cada um dos locais de votação”, explicou.

Para o magistrado, a presença do juiz eleitoral no acompanhamento dos procedimentos integra a dinâmica de transparência que envolve a preparação do pleito. “Hoje aqui o juiz está presente, o Ministério Público está presente, o chefe de cartório, porque é tudo muito transparente. A imprensa tem acesso livre a todo o trabalho da Justiça Eleitoral para fiscalizar, a exemplo dos candidatos e demais cidadãos que quiserem acompanhar o nosso trabalho”, destacou Geraldo Camargo.

O juiz também ressaltou a importância de o eleitor estar preparado para o momento da votação. Segundo ele, como serão cinco cargos em disputa, é recomendável que o eleitor leve uma “colinha” com os nomes dos candidatos na ordem em que serão apresentados na urna (deputado federal, deputado estadual, 1º senador, 2º senador, governador e presidente). A votação começa às 8h e termina às 17h, mas quem estiver na fila até o horário de encerramento terá o direito de votar. “O eleitor é sempre a nossa prioridade. A legitimidade de suas demandas fundamenta-se no princípio de que a democracia pertence a todos e emana do povo”, afirmou.

Carga, testes e lacração das urnas
O chefe do cartório da 333ª Zona Eleitoral, Rildo Damasceno, detalhou o passo a passo da ativação das urnas que serão utilizadas no dia da eleição. Segundo ele, a carga oficial consiste na inserção dos dados dos eleitores de cada seção e dos candidatos que disputarão o pleito. Na sequência, são realizados testes de funcionamento de teclado, vídeo, áudio, impressora e sistemas. Conforme o TRE-MG, algumas urnas são selecionadas para serem submetidas a uma votação simulada, com os candidatos reais. “O processo de carga é basicamente a colocação desses dados e o teste de todos os equipamentos da urna e impressora. O procedimento também engloba a inserção da mídia de resultados, em que serão gravados os votos registrados em cada urna”, explicou.

Depois dos testes e da conferência dos dados, as urnas recebem oito lacres invioláveis, impressos pela Casa da Moeda, todos eles assinados manualmente pelo juiz e promotor da Zona Eleitoral. O procedimento busca preservar a integridade dos equipamentos até o momento da votação. Concluída essa etapa, as urnas seguem para a logística de distribuição aos locais de votação, com apoio da Polícia Militar.
Trabalho continua depois da votação
A atuação da Justiça Eleitoral não termina quando o eleitor conclui o voto. Às 17h, com o encerramento da votação, a urna emite o Boletim de Urna (BU), documento que registra o resultado daquela seção eleitoral. Segundo Rildo Damasceno, uma via do boletim é afixada na porta da seção, permitindo o acesso público ao resultado. Outra fica com o presidente da seção, uma fica com o último eleitor do dia, e as demais seguem os procedimentos estabelecidos para a apuração.

Nas eleições deste ano, também haverá uma mudança na forma de transmissão dos resultados em Belo Horizonte. De acordo com Damasceno, os dados serão transmitidos imediatamente após o encerramento da votação, diretamente dos locais de votação para o sistema de totalização do TSE.
Na 333ª Zona Eleitoral, os 21 locais de votação farão a transmissão dos resultados diretamente após o encerramento dos trabalhos. “Terminou a votação, já cai no sistema de totalização do TRE diretamente, sem precisar passar por nenhum outro local antes”, explicou o juiz Geraldo Camargo.
De acordo com o magistrado, no dia 4 de outubro, quando o eleitor chegar à seção, encontrará apenas a etapa final de um trabalho que começou muito antes. “Por trás de cada urna preparada, estão o planejamento, a atuação dos magistrados, o trabalho dos servidores e uma estrutura organizada para que a votação ocorra de forma segura e transparente”, concluiu.



